Temperaturas em Espanha aumentam mais depressa do que no resto do Hemisfério Norte.
Nos últimos 30 anos, a Espanha aqueceu mais depressa do que os outros países do Hemisfério Norte, informa um relatório científico espanhol apresentado pelo Ministério do Ambiente.
Os registos recolhidos ao longo do século XX mostram um “aumento progressivo da temperatura”, especialmente nos últimos 30 anos (1975-2005), com uma taxa média de aquecimento de 0,5ºC por década. Este valor é 50 por cento superior à média no Hemisfério Norte e quase o triplo da média global, escreve o relatório.
Se se considerar todo o século XX, a subida da temperatura afectou todas as estações do ano de igual forma. Mas nas últimas três décadas, o aquecimento foi muito mais pronunciado na Primavera e no Verão.
Ileana Bladé, da Universidade de Barcelona, especificou que entre 1901 e 2005, a temperatura aumentou em Espanha a um ritmo de 0,13ºC por década e quase 0,48ºC entre 1973 e 2005.
A precipitação anual nos últimos 30 anos diminuiu de forma significativa em relação às décadas 60 e 70, especialmente no final do Inverno. A década que está agora a terminar regista os valores mais baixos de precipitação anual desde 1950. No entanto, a influência humana não se distingue do “ruído de fundo” natural.
Quanto ao nível do mar, nas costas atlânticas, foram registados aumentos na ordem dos 1,4 mm/ano, se se considerar todo o século XX, e de mais de 2 mm/ano se se considerar apenas a segunda metade do século XX. Mas nas costas mediterrânicas, as tendências observadas na última metade do século passado são menores ou mesmo negativas.
Para os finais do século XXI, as projecções regionais na Península Ibérica mostram um “importante aumento da temperatura média”, com um aumento de 6ºC no Verão e entre 2 e 3ºC no Inverno, isto nos cenários com maior impacto das actividades humanas. Também se prevê uma diminuição da precipitação ao longo de todo o ano, maior no Verão do que no Inverno. Teresa Ribera, secretária de Estado espanhola para as Alterações Climáticas que apresentou ontem o relatório, considera este cenário “impressionante”.
O relatório “Clima em Espanha: passado, presente e futuro” foi elaborado pela rede temática CLIVAR-España, criada em 2004 para potenciar a investigação científica sobre as alterações climáticas naquele país. Este é o seu segundo relatório e reúne os estudos de cerca de 120 cientistas espanhóis. O documento sintetiza e avalia a informação existente sobre os aspectos físicos das alterações climáticas recentemente observados na Península Ibérica e procura melhorar a nossa compreensão das alterações que afectam e afectaram a Península Ibérica, para poder antecipar melhor os impactos futuros climáticos em diferentes escalas temporais.
Fonte: Público